BRASÍLIA – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), consolidou-se como o principal articulador de bastidores da República ao transitar de algoz da maior derrota do terceiro governo Lula a parceiro estratégico às vésperas da corrida eleitoral. Após meses de atrito institucional provocado pela rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) — a primeira recusa do Senado a uma indicação presidencial à Corte desde 1894 —, o chefe do Legislativo retomou o diálogo com o Planalto.
A reconciliação foi mediada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes em um encontro reservado de duas horas em Brasília. O movimento já surtiu efeitos práticos na agenda legislativa: Alcolumbre destravou no Senado a votação sobre o fim da escala 6×1 de trabalho e a PEC da Segurança Pública, duas das principais bandeiras defendidas pela campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
Apontado como articulador de mais de R$ 1,2 bilhão em emendas parlamentares para o Amapá entre 2019 e 2026, Alcolumbre mantém influência sobre 15 postos estratégicos no Executivo federal (como diretorias na Codevasf, Correios e Banco da Amazônia, além de dois ministérios) e já conduziu o rito de mais de 140 indicações ao Poder Judiciário, reafirmando seu protagonismo nas decisões do país.

