Para pacientes com insuficiência renal crônica, a rotina de tratamento não precisa ser sinônimo de perda de autonomia. A diálise peritoneal, uma alternativa à hemodiálise convencional, permite que o filtro do organismo aconteça em casa, oferecendo flexibilidade de horários e a possibilidade de conciliar o tratamento com trabalho, estudos e momentos de lazer. Oferecido pelo Hospital Márcio Cunha da FSFX via SUS e convênios, o método tem como grande diferencial devolver ao paciente o protagonismo sobre sua vida e saúde.
A descoberta da necessidade de diálise pode ser um momento desafiador, mas a escolha do tipo de tratamento pode transformar completamente a experiência do paciente renal. Enquanto a hemodiálise tradicional exige deslocamentos frequentes a um centro especializado, a diálise peritoneal surge como uma alternativa segura, eficaz e domiciliar que coloca o paciente no controle de sua rotina.
Diferente da hemodiálise, que utiliza uma máquina externa para filtrar o sangue, a diálise peritoneal aproveita o peritônio – uma membrana natural do abdômen – como filtro. O procedimento é realizado pelo próprio paciente ou por um cuidador treinado, em casa, seguindo uma programação flexível. No Hospital Márcio Cunha, da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), o tratamento é oferecido tanto pelo SUS quanto por convênios, democratizando o acesso a essa modalidade.
Adaptação, Autonomia e Benefícios
Segundo o nefrologista da FSFX, Dr. Reginaldo Machado, a adaptação costuma ser tranquila. “Quando a família se dedica ao treinamento e o paciente tem autonomia para realizar a própria diálise, a experiência flui muito bem. A grande maioria segue o tratamento sem problemas”, explica.
Os benefícios são significativos:
- Liberdade de horários: O paciente não fica preso a turnos rígidos em uma clínica.
- Redução de deslocamentos: Elimina o tempo e o custo de idas ao centro de diálise.
- Vida mais ativa: Facilita a conciliação com trabalho, estudo, viagens e lazer.
- Tratamento mais suave: Por ser contínuo, é uma boa opção para pacientes mais debilitados.
O sucesso do método, no entanto, depende de um cuidado essencial: a higiene rigorosa. “A lavagem correta das mãos e a limpeza do ambiente onde a diálise será realizada reduzem significativamente o risco de infecção”, reforça Dr. Reginaldo.
Depoimento: “Tenho uma vida normal, aproveito bastante”
Aos 32 anos, Denise Dantas, moradora de Ipaba, vive essa realidade desde 2020. Diagnosticada de forma inesperada, ela escolheu a diálise peritoneal pela possibilidade de ficar em casa. “Só de pensar que eu poderia estar em casa me trouxe mais segurança”, conta.
Após o treinamento, a adaptação se tornou natural. “No início a gente ‘apanha’ um pouquinho, até se acostumar, mas depois fica tudo muito natural”, relata. Hoje, Denise mantém uma rotina ativa: cuida da casa, sai, viaja e até aproveita seu amor pelo mar e piscinas, usando curativos adequados. “Tenho uma vida normal, aproveito bastante”, celebra.
Para quem está começando, ela deixa uma mensagem de esperança: “Não tenham medo. A diálise peritoneal oferece uma qualidade de vida muito boa. A gente recebe treinamento, aprende, se dedica e consegue. Com positividade e vontade de viver, dá tudo certo”.
Uma Escolha que Respeita o Projeto de Vida
Mais do que uma técnica médica, a diálise peritoneal representa uma filosofia de cuidado. “É uma opção que valoriza a autonomia, respeita o tempo do paciente e permite que ele continue sendo protagonista da própria história”, finaliza Dr. Reginaldo.
Com informação, suporte multiprofissional e a coragem de pacientes como Denise, o tratamento renal pode se integrar à vida de maneira harmoniosa, provando que é possível conviver com a doença sem abrir mão dos sonhos, da liberdade e da qualidade de vida.
Sobre a Fundação São Francisco Xavier:
Entidade filantrópica com mais de 50 anos, a FSFX administra os hospitais Márcio Cunha (Ipatinga) e Municipal Carlos Chagas (Itabira), incluindo o Centro de Terapia Renal Substitutiva, além da operadora de planos Usisaúde, do Centro de Odontologia Integrada, do serviço de saúde ocupacional Vita e do Colégio São Francisco Xavier.


