A Secretaria de Saúde e Qualidade de Vida de Timóteo reforça o alerta sobre a hanseníase, doença milenar que ainda representa um desafio para a saúde pública. Durante a campanha Janeiro Roxo, a pasta confirmou a identificação de dois novos casos da doença em dezembro de 2025 e orienta a população sobre a importância do diagnóstico precoce para evitar sequelas.
A Secretaria de Saúde e Qualidade de Vida de Timóteo está intensificando as ações de conscientização sobre a hanseníase, aproveitando o marco da campanha Janeiro Roxo, mês dedicado ao combate e à informação sobre esta doença milenar. O alerta ganha ainda mais relevância após a confirmação de dois novos casos da enfermidade no município, detectados em dezembro de 2025. A informação foi divulgada pela médica dermatologista Franceline Quintão Azevedo Penna, referência técnica do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) para hanseníase em Timóteo.
Em entrevista, a especialista detalhou os desafios enfrentados no diagnóstico e tratamento da doença. “A hanseníase acomete a pele e os nervos, causando redução da força e perda da sensibilidade. É uma doença antiga que recebe poucos investimentos em estudos e pesquisas”, explicou Franceline. Segundo ela, os pacientes geralmente apresentam queixas como áreas dormentes no corpo, manchas que não cicatrizam, redução da sensibilidade em regiões específicas, dores nos membros e perda de força muscular. O tratamento, que pode durar de seis a doze meses, ainda depende de medicamentos tradicionais, sem grandes avanços farmacológicos recentes, o que a torna “uma das doenças mais desafiadoras da medicina”, nas palavras da dermatologista.
Sintomas silenciosos e desafios no diagnóstico
Um dos maiores obstáculos no combate à hanseníase é a sua apresentação clínica, que muitas vezes pode ser confundida com outras patologias. A médica alerta que alguns pacientes nem mesmo desenvolvem as manchas cutâneas típicas, o que dificulta ainda mais a identificação precoce. “No início, os sintomas são muito semelhantes ao de outras doenças, o que pode confundir e dificultar o diagnóstico. É importante que os profissionais de saúde investiguem a hanseníase, fazendo um diagnóstico diferencial”, recomenda Franceline.
Além das barreiras clínicas, a doença carrega um pesado estigma social, que atinge principalmente populações em situação de vulnerabilidade. “Existe ainda a dificuldade do paciente em não aceitar o diagnóstico”, relatou a médica, destacando que o preconceito pode atrasar a busca por ajuda e agravar o quadro. O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de novos casos registrados anualmente, mantendo a hanseníase como um sério problema de saúde pública no país. Por isso, ela é de notificação compulsória e requer investigação obrigatória.
Transmissão, tratamento e serviço de referência em Timóteo
A hanseníase é causada pelo Mycobacterium leprae, também conhecido como bacilo de Hansen. Sua transmissão ocorre por meio de contato próximo e prolongado com uma pessoa infectada e não tratada, através de secreções das vias aéreas superiores, como tosse ou espirro. É importante destacar que não há transmissão pelo contato com objetos de uso pessoal do paciente nem de forma vertical (da mãe para o bebê durante a gravidez ou parto).
O tratamento, oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é eficaz e interrompe a transmissão da doença em poucos dias. Não há necessidade de isolamento social durante o processo terapêutico. Em Timóteo, o atendimento especializado é realizado no Centro de Saúde João Otávio, localizado na Avenida 20, nº 136, no bairro Olaria II. Por meio do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), a unidade oferece testes rápidos, consultas, medicamentos, exames clínicos e até testes sanguíneos para familiares e pessoas que conviveram com pacientes diagnosticados.
Portanto, a campanha Janeiro Roxo serve como um oportuno lembrete sobre a importância de estar atento aos sinais do corpo e buscar avaliação médica diante de qualquer suspeita. O diagnóstico precoce é a chave para um tratamento bem-sucedido, evitando sequelas neurológicas permanentes e contribuindo para a quebra do ciclo de transmissão e do estigma que ainda cerca essa doença histórica. A Secretaria de Saúde de Timóteo reforça o chamado à população e aos profissionais da rede para que mantenham a vigilância ativa, garantindo assim a saúde e a qualidade de vida de toda a comunidade.

