Enquanto o Centro de Terapia Renal Substitutiva do Hospital Márcio Cunha realiza mais de 30 mil sessões de hemodiálise por semestre, o trabalho voluntário da Apirva oferece acolhimento emocional por meio de oficinas de arte e atividades recreativas, criando um ambiente de apoio para pacientes e familiares que enfrentam o tratamento renal crônico.
No coração do Vale do Aço, uma parceria entre o Hospital Márcio Cunha (HMC) e a Associação dos Portadores de Insuficiência Renal do Vale do Aço (Apirva) está redefinindo o significado do cuidado em saúde. Enquanto o Centro de Terapia Renal Substitutiva (CTRS) da unidade se consolida como uma das maiores estruturas de hemodiálise de Minas Gerais – com mais de 30 mil sessões realizadas apenas no primeiro semestre de 2025 –, o voluntariado oferece um complemento essencial: acolhimento humano por meio de arte, conversa e escuta.
Criada na década de 1990, a Apirva nasceu da percepção de que pacientes renais crônicos e seus familiares precisavam de mais do que atendimento médico – precisavam de suporte emocional e social. Hoje, as voluntárias entram nas salas de diálise durante a semana com tintas, pincéis e materiais de artesanato, transformando horas de tratamento em momentos de criação e descontração. Enquanto os pacientes participam de oficinas de pintura durante as sessões, os acompanhantes são recebidos na sede da associação para atividades como bordado, crochê, bingo e pintura.
Dona Selma, uma das fundadoras da Apirva, relembra as origens do movimento. “Eu visitava a diálise toda semana e via as mesmas dificuldades. Percebi que precisávamos fazer algo a mais. Reuni pessoas, criamos o estatuto e começamos. Hoje, muitos pacientes me consideram como parente. Os laços são profundos”, conta.
O impacto desse trabalho é sentido no dia a dia dos pacientes. Jordana Silva, de Ipatinga, destaca como as oficinas modificam sua experiência: “A oficina faz tudo ficar mais leve, a gente conversa, interage, o tempo passa de outro jeito”. Já Meire Costa, de Joanésia, que vive a segunda etapa da hemodiálise após 20 anos com um rim transplantado, guarda com carinho as lembranças feitas nas atividades. “Uma das minhas pinturas, de pano de prato, marcou uma época boa para mim. O tratamento é minha forma de sobrevivência, e a Apirva traz força emocional”, relata.
Para os acompanhantes, a associação tornou-se um porto seguro. Dona Edilene Souza, de Belo Oriente, descreve: “A Apirva é meu porto seguro. Eu me ocupo, aprendo e me fortaleço. Hoje é como uma família para mim”. Dona Aparecida Rodrigues, de Santana do Paraíso, complementa: “A Apirva me trouxe carinho, apoio e conforto. Somos uma grande família”.
Paulo Henrique Brasil, acompanhante e morador de Naque, reforça a importância do apoio mútuo entre as famílias. “Aqui a gente desabafa, dá força um ao outro. Virou uma família mesmo. As oficinas distraem a mente e acolhem num momento muito doloroso. A Apirva foi um presente de Deus”, afirma.
Na avaliação da equipe do HMC, a iniciativa agrega valor ao tratamento. A enfermeira supervisora do CTRS, Maria Cecília, explica que o acolhimento emocional influencia diretamente no bem-estar dos pacientes. “A arte e o acolhimento emocional melhoram a convivência com o tratamento, favorecem o equilíbrio e até a adesão às orientações. O voluntariado dá humanidade ao processo”, destaca.
Com uma estrutura que inclui 80 pontos de hemodiálise na unidade I do HMC e 35 cadeiras na unidade de Timóteo – com capacidade para atender até 70 pacientes diariamente –, o CTRS se consolida como referência em terapia renal no estado. A parceria com a Apirva demonstra que, além da excelência técnica, é possível construir uma rede de cuidado que inclui afeto, solidariedade e esperança.





