TIMÓTEO – A rica tradição do congado do Vale do Aço vai romper fronteiras em breve para encontrar as raízes da cultura afro-brasileira no Nordeste. A renomada Guarda de Moçambique de Timóteo confirmou sua presença nas festividades religiosas e culturais que agitarão as cidades de Saubara e Salvador, no estado da Bahia, no início do mês de agosto.
A jornada de intercâmbio terá início nos dias 1º e 2 de agosto, quando os congadeiros timotenses marcarão presença no tradicional Grande Encontro de Chegança de Marujada, em Saubara. O evento reunirá diversos grupos expressivos do Nordeste brasileiro e visa manter viva a secular tradição de visitas mútuas entre reinados de congados, consolidando um território de celebração coletiva da fé.
Parceria de Saberes e Cortejo no Pelourinho
A conexão entre a Chegança de Fragata de Saubara e a Guarda de Moçambique de Timóteo não é recente; a parceria foi firmada no ano de 2020. Naquela oportunidade, o mestre Luís Fabiano dos Santos, capitão-mor e atual presidente da Guarda de Timóteo, foi convidado para participar de uma imersão de troca de saberes populares e preservação de memórias identitárias.
Já no dia 2 de agosto, a comitiva mineira desembarca na capital baiana, Salvador, onde protagonizará um emocionante cortejo pelas ruas históricas do Pelourinho. O encerramento oficial das atividades em solo soteropolitano coroará a viagem com a realização de uma solene Missa Conga na emblemática Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, templo que é símbolo da resistência negra no Brasil.
Financiamento e Resgate Histórico
Toda a logística e o deslocamento da delegação fazem parte do Projeto Vale Caminhada de Fé. Os custos e despesas da viagem dos participantes serão inteiramente custeados por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Governo do Estado de Minas Gerais.
Mais do que um roteiro de apresentações artísticas, os organizadores reforçam que esse intercâmbio interestadual cumpre um papel fundamental na sociedade contemporânea. O trânsito cultural entre as comunidades de Minas e da Bahia colabora diretamente para manter acesa a chama da resistência, salvaguardar a memória dos tempos de escravidão e promover a louvação à padroeira Nossa Senhora do Rosário.

