A aprovação de um abono natalino de R$ 6 mil para servidores da Câmara Municipal de Ipatinga, na sessão do dia 18 de dezembro, foi marcada por uma denúncia de desigualdade e por ataques pessoais. A vereadora Professora Cida Lima (PT), única mulher e única representante da oposição de esquerda na Casa, votou a favor do benefício, mas usou a tribuna para criticar a exclusão dos trabalhadores terceirizados, que exercem funções semelhantes. Após seu discurso, foi alvo de ofensas pelo presidente da Câmara, que negou seu direito de resposta, gerando revolta em movimentos sociais e partidos.
A sessão da Câmara Municipal de Ipatinga do dia 18 de dezembro, que deveria tratar de um gesto de reconhecimento no fim do ano, tornou-se palco de uma discussão profunda sobre desigualdade no trabalho e de ataques pessoais que mancharam o debate democrático. Foi aprovado, na ocasião, um Projeto de Lei que concede um abono natalino de R$ 6 mil aos servidores efetivos da Casa Legislativa. No entanto, o benefício não foi estendido aos trabalhadores terceirizados, que atuam diariamente no mesmo ambiente, desempenhando funções essenciais de limpeza, atendimento e manutenção.
A vereadora Professora Cida Lima (PT), única mulher entre os 19 parlamentares e a única representante da oposição de esquerda, votou a favor do abono, reconhecendo sua importância para os servidores. Contudo, aproveitou sua fala para denunciar a injustiça da exclusão dos terceirizados e para reforçar sua posição histórica contrária à terceirização no serviço público. “É injusto que pessoas que limpam, cuidam, atendem e mantêm o funcionamento da Câmara, exercendo funções semelhantes aos demais, não sejam reconhecidas da mesma forma”, declarou.
Em sua defesa da equiparação de direitos, Cida Lima lembrou os problemas estruturais causados pela terceirização em todo o país, como atrasos salariais, alta rotatividade e instabilidade laboral, que prejudicam a qualidade dos serviços prestados à população.
Ataques Pessoais e Cerceamento do Debate
A reação ao discurso da vereadora, no entanto, foi além da divergência política. Após sua manifestação, ela foi alvo de ataques pessoais pelo Presidente da Câmara
Repercussão e Apoio
O episódio repercutiu intensamente, gerando forte reação de movimentos sociais, do Partido dos Trabalhadores e de outras legendas. As entidades classificaram o ocorrido como um caso de violência política de gênero, destacando a desproporção de forças e a tentativa de intimidação contra a única mulher no plenário.
A situação colocou em xeque os princípios democráticos que devem reger a Casa Legislativa, que deveria ser um espaço de respeito, pluralidade de ideias e debate qualificado. A denúncia da vereadora Cida Lima não apenas expôs a fragilidade dos direitos dos trabalhadores terceirizados, mas também revelou as tensões e os desafios para a construção de uma política mais inclusiva e respeitosa em Ipatinga. O caso segue mobilizando discussões sobre ética, equidade e a necessidade de um ambiente político livre de assédio e violência.

