O Hospital Márcio Cunha (HMC) acaba de escrever um novo capítulo em sua história cardiológica ao realizar, com sucesso, seu primeiro implante de marca-passo com eletrodo fisiológico. A técnica de ponta, que alinha a estimulação artificial ao sistema elétrico natural do coração, foi aplicada em uma paciente de 35 anos e representa um salto na oferta de tratamentos mais eficazes e modernos para a população da região.
A cardiologia de alta complexidade no Vale do Aço ganhou um significativo upgrade tecnológico. O Hospital Márcio Cunha não apenas incorporou, mas executou com maestria um procedimento considerado a fronteira atual na estimulação cardíaca artificial: o implante de marca-passo com eletrodo fisiológico. Este avanço vai muito além da mera substituição de um dispositivo; trata-se de uma reengenharia da terapia, buscando imitar com precisão a fisiologia nativa do coração para entregar resultados superiores em disposição, segurança e longevidade cardiovascular.
Capacitação e Colaboração Para Um Procedimento de Precisão
A realização deste marco não foi improvisada. Ela é fruto de um planejamento estratégico que envolveu capacitação e colaboração especializada. O procedimento contou com a participação da equipe local do HMC, composta pelo cardiologista eletrofisiologista Dr. Raphael Diniz e pela cardiologista arritmologista Dra. Thatiane Ticom. Para guiar e transferir conhecimento durante a cirurgia pioneira, atuou como proctor o experiente cardiologista Dr. Rafael Pires, especializado em São Paulo. Este modelo assegura que, após este primeiro caso, o hospital esteja progressivamente apto a realizar tais implantes de forma independente, internalizando a expertise e ampliando o acesso da população a essa tecnologia.
Entendendo a Revolução Fisiológica
Mas, afinal, qual a grande diferença? Um marca-passo convencional estimula o coração a partir do ventrículo direito, o que pode, em muitos casos, causar uma contração descoordenada (dissincronia) entre as diferentes paredes do coração. Com o tempo, essa dessincronia pode levar ao enfraquecimento do músculo cardíaco e ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca.
O eletrodo fisiológico, por sua vez, é posicionado em um ponto estratégico do sistema de condução cardíaca (geralmente o feixe de His ou áreas próximas). Dessa forma, o impulso elétrico artificial percorre o caminho natural do coração, resultando em uma contração sincronizada e muito mais eficiente. “Isso se traduz em mais disposição, menor risco de insuficiência cardíaca, redução da necessidade de medicamentos e uma recuperação muito mais rápida”, explica o Dr. Raphael Diniz.
Um Caso de Vida Que Ilustra o Benefício
A beneficiária concreta desta inovação é Jaqueline Fideles, 35 anos, moradora de Iapu. Nascida com um bloqueio cardíaco total, ela já utilizava um marca-passo convencional implantado em 2024. No entanto, exames detalhados detectaram que a estimulação tradicional estava causando dissincronia e piorando sua função cardíaca. A substituição pelo sistema fisiológico foi a solução para corrigir essa desorganização elétrica. “A sensação é de que agora posso ter uma vida normal, como qualquer outra pessoa”, comemora Jaqueline, que relatou um pós-operatório tranquilo e uma melhora perceptível em sua qualidade de vida em pouco tempo.
Ela também enalteceu o acolhimento humanizado que recebeu. “As enfermeiras me acompanharam o tempo todo, inclusive durante a cirurgia, segurando minha mão, o que me trouxe um conforto enorme”, relatou, emocionada, destacando o empenho de toda a equipe multidisciplinar.
Indicação Ampliada e Visão de Futuro
Diferente de alguns avanços restritos a casos extremos, a estimulação fisiológica tem uma aplicação potencialmente ampla. Os especialistas indicam que ela pode e deve ser considerada para a maioria dos pacientes que terão dependência duradoura de um marca-passo, podendo ser a opção primária, sem a necessidade de aguardar uma piora clínica. “Quando já sabemos que o paciente precisará de estimulação contínua, podemos optar diretamente por essa tecnologia, oferecendo uma solução mais completa desde o início”, complementa o cardiologista.
A concretização deste procedimento consolida o Hospital Márcio Cunha não apenas como um provedor de saúde, mas como um centro de excelência e inovação tecnológica ativa. Mais do que adquirir equipamentos, o HMC investe na capacitação de seus profissionais para dominar as técnicas mais modernas, sempre com o foco inabalável no desfecho clínico do paciente. Este caso bem-sucedido é um farol que indica o caminho do futuro da cardiologia na região: tratamentos cada vez mais personalizados, fisiológicos e voltados para a máxima qualidade de vida a longo prazo.


